Entrevista com Doctor Dreams

NOUDRAGS – Nos conte sobre a sua história, quando você começou a tocar e produzir?

DOCTOR DREAMS – Cara,eu começei produzindo bases de rap para uma galera que cantava lá onde eu morava, isso por volta de 2006. Paralelamente às bases,eu começei a pirar de tirar outras sonoridades, e daí surgiu o Doctor Dreams. No começo não era nada, eram só experimentos e mais experimentos de sonoridades e timbres eletrônicos. O meu primeiro álbum, o Xadrez, eu não consigo nem definir um estilo para ele, é experimental só. E daí a coisa foi caminhando até onde está hoje.

NDR – Qual a origem do nome Doctor Dreams?

DD – Doctor Dreams vem do fato de eu fazer minhas músicas inspirado no universo onírico, o universo dos sonhos.

NDR – Como você faz suas produções e que elementos você usa?

DD – Não costumo usar loops ou samples de outras músicas nas minhas, apesar de já ter feito muito isso. Hoje eu gosto de compor tudo partindo do zero mesmo. O que eu faço é me utilizar de um banco de presets para baixo, que são sons de baixo que eu criei através de um sintetizador virtual, e um de bateria que eu criei algumas peças boas e tenho salvo aqui. Partindo sempre do baixo e bateria, as outras ideias vão fluindo. A maioria dos meus sons tem uma atmosfera um pouco mais densa que o normal, uns reverbs exagerados, efeitos inusitados e outras maluquices como o glitch, que é influencia forte nas minhas produções.

NDR – Quais são suas principais referencias musicais? O que você tem escutado ultimamente em sua casa?

DD – Cara, sou muito eclético, escuto de tudo, escuto até coisa ruim (risos), é sério, escuto coisa ruim que está na moda para tentar entender porque tantas pessoas estão escutando aquilo, algum motivo sempre tem, às vezes dá para tirar umas lições. Mas falando em gêneros eletrônicos minhas influências maiores acho que são: dub, dubstep, glitch, hip-hop, idm, jungle e dnb, por aí, além das grooveiras, sou aficcionado por funk e jazz também. E aqui em casa é assim, todo dia tá rolando som novo, porque eu moro com músicos e cada um tem seu gosto, e eles estão sempre aprentando coisas novas e vice versa, é bacana.

NDR – Fale um pouco dos últimos trabalhos lançados.

DD – Meu último disco foi o Tropical Fiebier, lançado em junho de 2011, foi o primeiro release aqui na noudrags. O álbum conta com 10 faixas sendo 5 em parceria com amigos meus. Foi muito gostoso fazer esse álbum, principalmente a parte das parcerias porque fiz questão de chamar só pessoas que gosto e considero, independente do estilo ou da frequência que produz. Amigos de bom gosto. O resultado foi fantástico, um disco que caminha entre vários estilos da bass culture, entre o dubstep e entre o dnb e do glitch-hop ao steppa sem perder uma linha de guia que unifica isso tudo. Deu trabalho, mas fiquei feliz com o resultado e acho que agradou o público também.

NDR – Quais são os seus projetos para o futuro? Alguma novidade?

DD – Sim, várias já. Estou explorando bastante agora musicas com vocal. Rolou uma parceria com um mexicano, que é do selo tambem, o Fyah Syndicate, e ele está armando uns remix de umas tunes minhas e eu fazendo umas versões dubstep de alguns sons dele, e vem bastante coisa com vocal nessa historia, além de uns remakes e produções que estou tramando com um mc aqui de Curitiba, o Alienação Afrofuturista. Com ele as coisas ainda estão mais no começo, mas ele é um puta mc e acho que vão sair coisas bem legais aí também.

NDR – Qual a visão que você tem sobre a Bass Music no Brasil?

DD – Cara, estou com uma visão de que as coisas estão crescendo bastante, acho que vários estão vendo isso na verdade. Aqui mesmo na cidade, ano passado não tinha quase nada relacionado e agora temos a Haze Dub e a Low Freak, duas alternativas, e isso estamos vendo em todo o Brasil. As capitais que na minha visão estão se destacando são Curitiba, Brasília e São Paulo. Sempre escuto coisas que rolam nessa cidade e converso com pessoas que moram nesses lugares e gostam de bass music e a coisa está se tornando cada vez maior. Tenho recebido convites pra tocar em sampa e provavelmente esteja indo pra Brasília também agora no carnaval. É a teia que está se formando e ficando forte.

NDR – Doctor Dreams, queríamos te agradecer por ter concedido essa entrevista. Parabéns pelo seu trabalho e fique à vontade para passar um recado final.

DD – Massa, queria dizer que agradeço a galera que tem curtido meu trampo, tenho recebido vários feedbacks positivos ultimamente, agradecer também a galera que faz um corre aqui na cidade, povo da 171kbps e da Track Cheio que estão organizando a festa mais responsa de dub e dubstep de Curitiba. Os parceiros aqui do selo também, porque todo mundo se empenha pra caramba pra fazer rolar lançamento toda semana com arte bonitinha e blá blá blá, e nao tira um mango pra isso, é tudo amor, manja. Então meu recado é esse, falar pra galera fazer o que ama e com amor. Com amor e empenho as coisas vão pra frente. Tem que ser verdadeiro, acreditar, trabalhar e nunca ficar apegado aos resultados, mas o processo é importantíssimo, às vezes é lento mas aí, a paciência é uma virtude a ser cultivada também.

http://www.soundcloud.com/doctordreams

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